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Ler, pra quê?

 

Por: Vanderlei Ricken

Quando era adolescente, eu gostava de visitar cemitérios. Parece um costume mórbido, mas o que me atraía eram as histórias que estavam por detrás das datas de nascimento e de falecimento. Quando se vê uma lápide com um ano de nascimento, um traço e um ano de falecimento, assim (1945-1999). Pode-se extrair algumas informações, como a longevidade das gerações passadas, etc.
Mas o que me intrigava era o traço. O traço representa toda uma vida. Alegrias e tristezas, encontros e desencontros, aventuras e desventuras. Quantas experiências? Quanta sabedoria? Quanta vivência?
Eu almejava criar uma máquina, uma tecnologia que pudesse ser capaz de extrair as informações contidas naquele simples traço. Quantas experiências ali reduzidas a zero, a um traço.
Mas pensando melhor, existe essa tecnologia, existe um local em que o traço é, mesmo que de forma limitada, aberto à visitação e ao escrutínio. A biblioteca é o local com inúmeras frações de vidas e o livro, o “arquivo” revelador de uma vida.
Como é bom conversar com alguém experiente, ou com um professor de uma das áreas do conhecimento, ou quem sabe, com um grande contador de histórias, quem sabe com um poeta ou declamador. Difícil encontrar essas pessoas disponíveis na hora que também estamos disponíveis e desejosos… Os livros na biblioteca são esses “seres” que amaríamos poder conhecê-los pessoalmente, mas muitos deles hoje são apenas um traço numa lápide. Porém, os livros deixados permanecem tão vivos como quando foram impressos.
Quando olhamos os livros dessa forma, como “arquivos” contendo histórias de vida, experiências passadas, conhecimento puro e aplicado, poesias inspiradas e tocantes, contos e causos, vidas descritas e reveladas, passamos a valorizá-los mais e escolhemos um local especial para cada um deles.
É muito bom assistir a um filme na Netflix, mas quando aprendemos e acostumamos a rodar o filme na nossa própria mente, como resultado daquilo que estamos lendo num livro, o resultado é muito mais espetacular.
Livro é a tecnologia que se tivesse sido inventada nos nossos dias, suplantaria com folga a todas as demais da atualidade. Ela seria vista como o boom da civilização contemporânea. Alguns hoje, podem até desprezar o livro e a escrita, mas eles revolucionaram o mundo quando surgiram, a tal ponto que a história só é história depois da escrita, antes dela, é apenas, pré-história.
O livro continua hoje tão atual e tão importante como sempre foi. Imbatível pela própria natureza. E cada vez mais acessível aos que dominam a ciência misteriosa de interpretar os signos que formam palavras, frases, parágrafos, artigos, capítulos, livros, volumes, coleções, bibliotecas.
A leitura na atualidade é fundamental para que se tenha uma vida mais feliz, mais segura, mais cidadã, mais humana, através da leitura estimulamos nosso cérebro, viajamos no tempo, exercitamos as memórias. Experimente ler um livro hoje!

Vanderlei Ricken, é colaborador em artigos, bibliotecário do IACS desde 2007, graduado em Biblioteconomia (UFSC), especialista em Gestão de Bibliotecas Escolares (UFSC), autor de “Arte da pesquisa” (2012), “Uma pedrinha branca” (2017) e organizador do “Meditando com a família IACS 90 anos” (2018).